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Morte de físico português do MIT. Atirador motivado por "fracassos pessoais" no ataque à Universidade de Brown

Morte de físico português do MIT. Atirador motivado por "fracassos pessoais" no ataque à Universidade de Brown

Cláudio Neves Valente, o atirador responsável pelo ataque mortal na Universidade Brown em dezembro parecia estar ressentido pelos fracassos pessoais e procurava vingança contra aqueles que considerava responsáveis, disseram as autoridades federais na quarta-feira.

Cristina Sambado - RTP /
CJ Gunther - Reuters

Mais de quatro meses depois de Cláudio Manuel Neves Valente ter aberto fogo no campus da Ivy League, matando dois estudantes e ferindo outros nove, os responsáveis da divisão do FBI em Boston anunciaram que concluíram uma parte significativa da investigação ao atirador.

Neves Valente, um português de 48 anos, matou também um professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Nuno Loureiro, num ataque separado à sua casa, nos arredores de Boston, no dia 15 de dezembro, acrescentaram as autoridades. Neves Valente foi encontrado morto com um ferimento de bala autoinfligido a 18 de dezembro num armazém em New Hampshire, após uma busca policial.

Neves Valente confessou os ataques numa série de vídeos e gravações áudio feitas após os tiroteios, segundo as autoridades. Não demonstrou remorso.


Cláudio Neves Valente, que se suicidou após o ataque mortal, começou a planear a violência em 2022, revelou o FBI. As autoridades afirmaram na quarta-feira que Neves Valente estava "comprometido em realizar o ataque" à Universidade Brown, que começou a planear em 2022. O FBI disse que o atirador não tinha família ou amigos que pudessem ter percebido sinais de alerta e avisado as autoridades.

O FBI afirmou ter determinado que agiu sozinho e que as suas vítimas eram "de natureza simbólica", dizendo que a Universidade Brown e Nuno Loureiro representavam para Neves Valente "os seus fracassos pessoais e injustiças que ele percebia terem sido infligidas por outros ao longo do tempo".

"Ao atacá-los, Neves Valente provavelmente conseguiu superar a sua vergonha e inveja, usando a violência para punir aquelas comunidades que ele entendia serem contribuintes para a sua queda", disse o FBI.

Buno Loureiro tinha sido nomeado, no início de 2024, diretor de um dos centros de investigação mais importantes do reputado MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Boston).Neves Valente frequentou a Universidade de Brown há duas décadas, depois de ter concluído um programa de física no Instituto Superior Técnico de Portugal, onde estudou com Nuno Loureiro. Abandonou Brown em 2001 e deixou os Estados Unidos.

Posteriormente, obteve residência permanente legal nos EUA em 2017, enquanto vivia na Flórida. Estava desempregado quando os tiroteios ocorreram, e o FBI afirmou que o seu "sentido inflacionado de si próprio contribuiu para conflitos interpessoais na sua vida e levou-o a acreditar que estava a ser tratado injustamente".

A agência disse acreditar que, à medida que os seus fracassos superavam os seus sucessos, a paranoia de Neves Valente "aumentou, agravando a sua contínua incapacidade de prosperar, levando-o a um estado de saúde mental debilitada e à sua intenção de morrer".

Com o tempo, disseram os investigadores, construiu uma narrativa de queixa e inadequação, com "pouca ou nenhuma oportunidade para que quem estivesse à sua volta observasse e contextualizasse a importância dos seus comportamentos."
"Parecia ter dificuldade com a forma como via as suas conquistas de vida e sentia-se consideravelmente marginalizado pelos outros", escreveu o FBI no relatório.

No entanto, mesmo enquanto os investigadores delineavam esse quadro, reconheceram os seus limites, notando que apenas Neves Valente conhecia a razão completa por detrás dos ataques e que fatores de stress, relacionados com a saúde mental, não podem por si só explicá-los totalmente.

As armas de fogo usadas nos ataques eram legais, compradas na Flórida anos antes, acrescentaram.

Os resultados surgem enquanto os estudantes feridos no ataque apresentaram um processo judicial no início desta semana, alegando que a universidade ignorou avisos anteriores sobre o atirador e não prestou a segurança adequada que pudesse ter prevenido a tragédia.

c/agências
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